Páginas

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

ANÁLISE DO GÊNERO HQS.

UNIVERSIDADE ESTADUAL VALE DO ACARAÚ – UVA

Centro de Letras e Artes – CLA

Curso de Letras

Produção de Texto: Gênero História em Quadrinhos

Professora: Maria Soares


ANÁLISE DO GÊNERO HQS.


Carina Vieira da Silva*

Francisca Magna Batista


RESUMO - Este artigo se propõe a discutir o gênero Histórias em Quadrinhos, observando o conceito, evolução, características e associação em outros gêneros parecidos. A partir do estudo de Bakhtin, Marcuschi, Koch e Rios, o resultado a que se chegou mostra que nem sempre é fácil delimitar, com exatidão, as fronteiras que diferenciam os gêneros, seus conceitos, evolução e características, mas que as histórias em quadrinhos são importantes meios de entretenimento e influência e que é considerada arte.


PALAVRAS-CHAVE: Histórias em Quadrinho, Gênero, Entretenimento, Arte.


INTRODUÇÃO


O presente artigo tem como objetivo analisar e discutir o conceito e a evolução do gênero Histórias em Quadrinho e fazem associações com outros gêneros parecidos.

O gênero HQs é considerado importante pois os artistas aliam qualidades literárias ao desenho e muitas vezes mostram situações cômicas, sendo ele um importante entretenimento e influência.

Marcuschi (2008, p.38) solicita a nossa observação para a maneira como devemos compreender a linguagem numa perspectiva do gênero. Uma linguagem que parte do social e do cultural, numa visão historicizante e ideológica, e não de uma abordagem meramente descaracterizada do social. Bakthin (2001, p.63) aponta a necessidade de se analisar os gêneros como um discurso que faz parte da vida do falante de uma língua. E este só se comunica por meio de gêneros.

___________________________

* - Alunas do 4º período do Curso de Letras , da Disciplina Produção de Texto, ministrada pela professora Maria Soares da Universidade Estadual Vale do Acaraú - UVA

Nem sempre é tão fácil definir e classificar os gêneros textuais. Há estudiosos que partem do domínio discursivo, outros que manifestam suas


análises apoiando-se nos segmentos topológicos e, existem ainda alguns que se aproximam do conceito de texto e suas variações. O domínio discursivo diz respeito a natureza da linguagem, a esfera discursiva. As tipologias costumam agrupar os gêneros.

O conceito gênero nãoé uma definição recente, desde os retóricos e os estudiosos da literatura antiga ou clássica já se apresentavam, de forma diversa do que é hoje, as concepções de gêneros.

GÊNERO HISTÓRIA EM QUADRINHOS: CONCEITO, CARACTERIZAÇÃO E EVOLUÇÃO


As histórias em quadrinho são enredos narrados quadro a quadro por meio de desenhos e textos que utilizam o discurso direto, característico da língua falada.

As histórias em quadrinhos são constituem um gênero discursivo secundário que, para Bakhtin (1993) aparecem em circunstâncias de comunicação cultural na forma escrita e que, muitas vezes, em função do enredo desenvolvido, englobam os gêneros discursivos primários correspondentes a circunstância de comunicação verbal espontânea.

Nas primeiras décadas os quadrinhos eram essencialmente humorísticos, e essa e a explicação para o nome que elas carregam ainda hoje em inglês, comics (cômicos), onde elas retratam, muitas vezes, situações engraçadas.

Definir quando as Histórias em Quadrinhos foram inventadas é um desafio, pois desde os homens das cavernas até hoje, a humanidade sempre se comunicou através de desenhos. A origem das histórias em Quadrinhos é muito controversa. Segundo a lenda, os quadrinhos surgiram porque os jornais não estavam vendendo muito e começaram a usar ilustrações para complementar as notícias e chamar a atenção do leitor, com o tempo, as ilustrações começaram a se desvencilhar das notícias e trilharam um caminho próprio, criando um novo gênero narrativo as HQs.

Foi com o personagem Yellow Kid que um dos principais elementos das HQs foram incorporados às histórias: os balões de fala.Antes dos balõezinhos, os textos eram escritos em forma de legendas que acompanhavam as cenas. E com o surgimento dos balões podemos nos aprofundar nos pensamentos e características dos personagens, pois para cada tipo de reação da personagem, há um formato de balão. Pois os quadrinhos também utilizam à linguagem não verbal, que é fundamental na transmissão de sua mensagem, não se pode deixar de citar a importância dos elementos específicos de um quadrinho como requadro, o balão, e as legendas que auxiliam os recursos linguísticos (discurso direto, onomatopéia, expressões populares), não verbais (gestos e expressões faciais) e paralinguísticos (prolongamento e intensificação de sons) na compreensão da narrativa.


A DIFERENÇA ENTRE HISTÓRIA EM QUADRINHO, CHARGE E TIRINHA.


As histórias em quadrinhos, charges e tirinhas são textos multimodais, ou seja, trazem além da imagem alfabética, imagens, disposição, gráfica na página, cores, figuras geométricas e outros elementos que se integram na aprendizagem.

Apesar da semelhança entre eles, todos possuem uma forma própria e única de expressar sua idéia, assunto ou tema que abordam.

O meio a que chamamos de história em quadrinhos se baseia numa idéia simples. A idéia de se posicionar uma imagem após outra para ilustrar a passagem do tempo. O potencial dessa idéia é ilimitado, os quadrinhos são um idioma. Seu vocabulário consiste de toda a gama de símbolos visuais... O coração dos quadrinhos está no espaço entre um e outro... Onde a imaginação do leitor da vida a imagens inertes (McCloud, 2006 p.1).

Podemos perceber por meio desse fragmento, que as Histórias em Quadrinhos são enredos narrados quadro a quadro, por meio de desenhos e textos, utilizam o discurso direto, características da língua falada e em certos casos são imprescindíveis, possuem em seu texto escrito características próximas de uma conversa face-a-face, além de apresentarem elementos visuais complementadores a compreensão, o que torna a leitura de um HQ além de prazerosa, é capaz de causar no leitor um determinado fascínio, devido a combinação de todos esses elementos.

Enquanto a charge é um tipo de ilustração que tem por finalidade satirizar, por meio de uma caricatura, algum acontecimento atual com um ou mais personagens envolvidos. Apesar de ser muito confundida com o Cartoon (Cartum) palavra de origem inglesa, é considerada como algo totalmente diferente, porque ao contrário da Charge que é sempre uma crítica contundente, o Cartoon retrata situações mais corriqueiras do dia-a-dia da sociedade.

A charge é uma crítica político-social onde o artista expressa graficamente sua visão sobre determinadas situações cotidianas através do humor e da sátira. (Bazermam, 2005, p.78).

Notamos nesse trecho que para entender uma charge, não precisa ser necessariamente uma pessoa culta, precisa-se apenas estar por dentro do que ocorre ao seu redor.

A tirinha já se refere a uma apresentação possível, caracterizadas por uma série de vinhetas.

As vinhetas são determinadas externamente por traços que dividem a página e constituídas de forma justapostas. Essa construção é que lhes confere o fator de estruturação textual e delineia o percurso do fluxo narrativo (Michelete, 2005, p. 69).

Através da afirmação do autor notamos que a Tirinha, é bem breve, é uma forma de arte que conjuga e imagens com o objetivo de narrar histórias dos mais variados gêneros e estilos. São em geral publicadas no formato horizontal, da esquerda para a direita, em revistas, livros, jornais e sites. A tirinha também é conhecida como arte seqüencial, segmento da História em Quadrinhos.


TRABALHANDO COM QUADRINHOS EM SALA DE AULA


Entre os motivos para trabalhar quadrinhos na escola, está a atração dos estudantes por esse tipo de leitura, a conjugação de palavras e imagens, que representa uma forma mais eficiente de ensino. O alto nível de informação deles, o enriquecimento da comunicação pelas Histórias em Quadrinhos, o auxílio no desenvolvimento do hábito da leitura e ampliação do vocabulário.

Sendo possível ser trabalhado em todas as disciplinas, como em:

Língua Portuguesa

Interpretação das imagens, podendo ser trabalhados temas como linguagem, compreensão do cenário, coerências das falas com as imagens, convívio entre crianças e adolescentes.

Educação Artística

Os alunos podem analisar a linguagem dos quadrinhos e criar seus próprios personagens, balões, quadros e onomatopéias.

Matemática

Os alunos podem ser elevados a desenhar histórias explicando operações matemáticas, ou que envolvam tramas cuja solução seja desvendada pela solução de um problema matemático.

História e Geografia

Alguns HQs trazem muitas referências históricas, principalmente guerras, algumas histórias da Turma da Mônica fazem referências a fatos históricos.

Ciências

Os gibis do X-men, por exemplo, tornaram popular o conceito de mutação, podendo ser usados para iniciar uma aula sobre Darwin. Muitas Histórias em quadrinhos falam sobre descobertas científicas, tema que se bem interpretado e trabalhado, pode ser bem rico e prazeroso.

Fica claro que a HQ é fechada em si mesma, como acentuam Ferreira e Andrade (2005); ela apresenta uma linguagem que atua harmoniosamente com outras linguagens expressivas, trazendo contribuições fundamentais para o desenvolvimento do sentido do texto.


METODOLOGIA


O método utilizado nesta investigação, foi o estudo bibliográfico, foram selecionados textos de diversos teóricos dominantes do assunto; estudadas e retiradas informações pertinentes para a elaboração do presente trabalho, sendo selecionadas as informações mais claras e objetivas, com o intuito de causar uma melhor compreensão ao leitor. Tentamos desenvolver cada tópico, de maneira sensata e clara depois de bem discutido e estudado o assunto, a fim de identificar e diferenciar de maneira mais fácil e objetiva o gênero HQ (História em quadrinhos).


CONSIDERAÇÕES FINAIS


O estudo mostra o quanto esse gênero narrativo de múltiplas linguagens que é o HQ (História em quadrinhos), é interessante e prazeroso de ser estudado, além de oferecer um amplo campo para exploração, podendo ser utilizado em todas as disciplinas escolares e superiores. As Histórias em quadrinhos é um gênero que não é apenas engraçado, mas que através das cores, balões, lapso de tempo e metáforas visuais que são utilizados pelos autores, são capazes de transmitir ao leitor situações da história, por meio da imagem sem utilização verbal. Por ser um gênero de fácil compreensão, é rapidamente aceito e trabalhado, mesmo que seja de forma indireta, estamos sempre em constante contato com o mesmo.


















REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


BAKHTIN, Mikhail. Estética da criação verbal. São Paulo: parábola,2001.


BAZERMAN,C. Gêneros Textuais,Tipificação e interação . São Paulo: Cortez,2005.


FERREIRA,C.ANDRADE,C.A.B. O Discurso das Histórias em Quadrinhos, Confluêcias de imagens. In: MICHELETTI, G. E ANDRADE,C.A.(orgs). Discursos : Olhares múltiplos. São Paulo. Andross, 2005


KOCH, Ingedore. Argumentação e Linguagem. São Paulo: Fontes,1996.


MARCURSCHI, Luis Antonio. Produção Textual, Análise do Gênero e compreensão. São Paulo : Parábola, 2008.


McCLOUD,S. Reinventando os Quadrinhos. São Paulo:M.books do Brasil, 2006.


MICHELETTI, G. e ANDRADE,C.A.B. Enunciação e Gêneros Discursivos, 2005.

domingo, 21 de novembro de 2010

GÊNERO PUBLICITÁRIO

UNIVERSIDADE ESTADUAL VALE DO ACARAÚ-UVA

CENTRO DE LETRAS E ARTES-CLA

CURSO DE LETRAS

Disciplina: Produção de Texto

Professora: Maria Soares



GÊNERO PUBLICITÁRIO


Kariny Fernandes Veras¹

Maria Camila Carvalho²




RESUMO: O presente artigo tem como finalidade buscar o conceito de gênero, principalmente o publicitário de acordo com estudos teóricos de Bakhtin, Carvalho, Hoff, Machado e Marcuschi, bem como tentar explicar a relação entre publicidade e propaganda dentro de suas metas e objetivos propostos revelando a influência da primeira dentro de um âmbito discursivo e sócio-comunicativo e suas múltiplas relações encontradas no dia a dia dos indivíduos que estão inseridos nas trocas comunicativas do ambiente na qual os mesmos fazem parte.

Palavras-chave: Gênero. Publicidade. Linguagem. Sociedade



INTRODUÇÃO



Os gêneros como entidades sócias discursivas contribuem para estabilizar e ordenar as atividades comunicativas no dia a dia das pessoas, são fenômenos maleáveis e dinâmicos que surgem, modificam-se e até mesmo desaparecem em função das necessidades e atividades relacionadas a diferentes esferas da utilização da língua presente em uma determinada sociedade.



¹ Aluna do 4º período do Curso de Letras (habilitação em Língua Portuguesa)da Universidade Estadual Vale do Acaraú-UVA e estudante do Curso de Inglês do Núcleo de Línguas Estrangeiras-NUCLE.

² Aluna do 4º do período do Curso de Letras (habilitação em Língua Portuguesa) da Universidade Estadual Vale do Acaraú-UVA .

Assim, os gêneros buscam sempre novos efeitos de sentido dentro do meio na qual eles estão sendo usados, podendo subverter, assumir possibilidades, produzindo a textualidade e formando todo o discurso, onde cada enunciado representa um elo de comunicação, que determina a fala e as relações sociais, dentro de tal pressuposto é possível relatar que o gênero publicitário ocupa este lugar de prestigio.

Partindo de tal ponto é possível relatar que as pessoas em sua convivência social necessitam comunicar-se por algum gênero. Assim sendo, o discurso publicitário reflete o cotidiano das pessoas.É comum anúncios que tomam destaque diante dos olhos do leitor porque revela situações vividas ou testemunham os anseios mais íntimos do ser humano.Essa forma de discurso,com sua linguagem própria,aproxima-se da realidade e provocam um interação imediata entre o emissor e o receptor, possibilitando interação e criticidade, intervindo na dinâmica da sociedade,pois no dizer de Bakhtin(2003, p. 34), a língua é um fator social, logo,um fruto da manifestação interindividual e de caráter dialógico em sua essência. Assim o Gênero publicitário constitui-se como uma maneira de persuasão e modificação das estruturas sociais vigentes.


BREVE CONCEITO DE GÊNERO

O estudo dos gêneros textuais é muito antigo e achava-se concentrado na literatura. Ele surgiu com Platão e Aristóteles, tendo origem em Platão a tradição poética e em Aristóteles a tradição retórica. Agora o gênero saiu, dessas tradições e veio para a lingüística de maneira geral, sobretudo, na perspectiva de Bakhtin e, mais tarde Marcuschi, em particular nas áreas relacionadas aos fenômenos discursivos. A noção de gênero não é mais vinculada apenas à literatura, pois, a expressão de “gênero” vem sendo atualmente usada de maneira cada vez mais freqüente e em número cada vez maior de áreas de investigação.

Os gêneros textuais são os textos que encontramos em nossa vida diária e que apresentam padrões sociocomunicativos característicos definidos por composições funcionais. Os gêneros são entidades empíricas em situações comunicativas e se expressam em designações diversas, constituindo em principio de listagens abertas.

Os gêneros textuais são vários e esses poderiam ser: romance, reportagem, receita, carta pessoal, carta comercial, noticia, publicidade, resenha, piada, edital de concurso, crônica, ensaio, etc, na verdade, pode-se dizer que gêneros textuais, em todas as suas dimensões, refere-se às diferentes formas de expressão textual,então o indivíduo nas sua diferentes relações comunicativas faz uso de alguma forma de gênero, pois eles constitui como todas e qualquer forma de comunicação, desde as primárias até as formas secundárias, como muitos lingüistas como Bakhtin costumam classificar. As formas primários são aquelas da vida cotidiana e que mantêm uma relação imediata com as situações nas quais são produzidos, isto é:


Correspondem a um espectro diversificado da atividade lingüística humana relacionada com os discursos da oralidade em seus mais variados níveis (do diálogo cotidiano ao discurso didático, filosófico ou sociológico).

(MACHADO, 2005,p.153)



Os gêneros secundários surgem na comunicação cultural mais complexa, artística, científica, sócio-política – principalmente a escrita, repousam sobre instituições sociais e tendem a explorar e a recuperar os gêneros primários:



Durante o processo de sua formação, os gêneros secundários absorvem os gêneros primários (simples) que constituíram na comunicação discursiva imediata. Os gêneros primários, ao integrarem os gêneros secundários, transformam-se e adquirem uma característica particular: perdem sua relação imediata com a realidade dos enunciados alheios.

(BAKHTIN, 1992,p.281)



Os gêneros textuais não possuem uma forma fixa, são dinâmicos, de complexidade variável e não é possível designar ao certo quantos existem, pois como são sócio-históricos e variáveis, não há como fazer uma lista fechada, o que dificulta ainda mais sua classificação, por isso é muito difícil fazer uma classificação dos gêneros.

Segundo o autor Bakhtin (1992, p. 262), o qual afirma que cada esfera de utilização da língua elabora seus “tipos relativamente estáveis de enunciados, sendo isso que denominamos de gêneros do discurso”. De acordo com ele os gêneros do discurso são infinitos, pois a variedade da atividade humana é inesgotável, e cada esfera dessa atividade comporta um repertório de gêneros do discurso que vai diferenciando-se e ampliando-se, à medida que a própria esfera se desenvolve e fica mais complexa.



GÊNERO PUBLICITÁRIO E A SOCIEDADE



O gênero publicitário segue a compreensão de esfera discursiva de Bakhtin, pois a importância da publicidade na sociedade moderna é cada vez maior, pois a mesma é veiculada pela mídia que atualmente é constituída como uma poderosa força de persuasão que modela as atitudes e os comportamentos no mundo contemporâneo.

A publicidade é tida como um dos gêneros mais acessíveis à população. Nas palavras de Hoff (2005, p.1), “convivemos com tanta familiaridade com as idéias e imagens proporcionadas pelos meios de comunicação de massa que as aceitamos como verdades e as utilizamos para guiar nossas decisões e escolhas”.

Como a autora retrata, tal gênero usa de artifícios do dia a dia dos indivíduos para modificar o modo de pensar de cada um e fazer com que os mesmos modifiquem as atitudes e sigam os moldes impostos pelos meios de comunicação de massa.

O campo publicitário é extremamente amplo e variado. Em termos gerais, sem dúvida, uma publicidade é apenas um anúncio público que se destina a transmitir informações, a atrair a clientela ou a suscitar uma determinada reação. Isto significa que a publicidade tem dois objetivos essenciais: informar, denunciar e persuadir, e apesar de serem objetivos diferentes com muita freqüência estão ambos presentes.

Na publicidade, entram em jogo muitas massas medias e numerosas técnicas, são sempre diferentes tipos de publicidade: a publicidade comercial para produtos e serviços, a publicidade em favor dos serviços públicos por conta de diversas instituições, programas ou causas comuns, e este fenômeno adquire hoje uma importância crescente a diversas utilidades da publicidade, reconhecendo as diferenças entre os diversos tipos de publicidade e os seus métodos.

A publicidade não é mais que o reflexo dos comportamentos e dos valores de uma determinada cultura. Sem dúvida, a publicidade e a massa mediam em geral têm a função de um espelho. Mas num sentido mais amplo, este espelho contribui para modelar a realidade que reflete e, por vezes, projeta uma imagem deformada.

Até as pessoas que não estão em contato direto com a publicidade nas suas diferentes formas,vêem se, no entanto, confrontadas com uma sociedade, com uma cultura e com outras pessoas que são influenciadas, positiva ou negativamente, pelas mensagens e técnicas publicitárias de todos os gêneros.

Referindo-se a esse tipo de gênero publicidade, Carvalho (1996 p.73) comenta que a publicidade elabora um discurso, uma linguagem que sustenta uma argumentação icônico-lingüística, com fins de convencimento consciente ou inconsciente do público-alvo.

O discurso publicitário é como uma construção social e não individual que deve ser lido e analisado como seu contexto histórico social, suas condições de produção, além de perceber que esse discurso reflete uma visão de mundo determinada pelas pessoas e a sociedade em que vivem,constituído-se como uma forma de poder influenciador que pode determinar modelos sociais vigentes.



RELAÇÃO ENTRE PUBLICIDADE E PROPAGANDA

Os textos propagandísticos e publicitários são de articulação ampla no contexto midiático (onde mídia vem do latim, que significa meio, funcionando como propósito de que chegue ao publico-alvo). O primeiro divulga ideias, ideologias, crenças, doutrinas etc.O segundo divulga produtos e serviços com o objetivo de fazer o consumidor adquiri-los,experimentá-los.

O que marca, a diferença entre publicidade e propaganda é o discurso ideológico, e o dialogo entre divulgação e persuasão e é no conteúdo, que varia de acordo com o objetivo de comunicação, que se diferencia e determina a intencionalidade de cada gênero.

Assim, há de se refletir que a publicidade faz parte da propaganda, pois, por trás do objetivo de compra há uma ideologia ou um conceito de determinado produto ou marca. Revelando assim, as múltiplas relações existentes entre os gêneros e as diversas formas que ele pode assumir para ser visto e identificado. O gênero publicitário assim como o propagandístico entre outros pode assumir diversas formas, marcando uma intertextualidade entre eles.



A LINGUAGEM DOS ANÚNCIOS PUBLICITÁRIOS



O discurso publicitário apresenta-se de forma variada, divulgando um determinado evento como, por exemplo, um show, uma feira cultural, de moda, anunciando uma promoção referente ao comércio logístico, anunciando um produto que acabara de ser lançado no mercado entre outros fins. Traçando vários objetivos por parte do emissor,tentando persuadilo receptor de alguma forma.

Diante de tal finalidade discursiva, a linguagem dos anúncios publicitários precisa não somente ser clara e objetiva, mas também, bastante atrativa. Para tanto, há um constante uso de linguagem verbal e não-verbal, com o predomínio da não-verbal, uma vez que esta utiliza-se de imagens que tendem a ser mais chamativas e, conseqüentemente, contribuem para a concretização dos objetivos propostos. E, falando sobre linguagem, é essencial salientar um fator bastante peculiar que é a presença de alguns recursos estilísticos voltados para a conotação, ou seja, passíveis de múltiplas interpretações. Assim, metáforas, comparações, hipérboles, dentre outras, são indispensáveis. Veja a análise de um caso representativo:

Anuncio 1:

Deixe de lado aquele sorrisinho amarelinho”

Anúncio 2:

Viva o lado Coca-Cola da vida”

O primeiro anúncio é de um creme dental da marca “sorriso”.

O segundo anúncio é de um refrigerante que tem como sabor marca “coca-cola”.

Neles é possível identificar o uso de uma linguagem ambígua.No primeiro, o fato de o sorriso ser amarelo em seu sentido literal como também remete ao sorriso sem entusiasmo, enfadonho,sem nenhum traço atrativo.Mostrando que o produto (marca) intertextualiza um procedimento inerente as atividades humanas como no caso o sorriso.

Já no segundo anúncio há um verbo no imperativo na segunda pessoa do singular (viva) que remete a (viva tu) fazendo com que se perceba a ordem que é dada ao público-alvo, fazendo com que este passe a ser influenciado a usar o produto, pois o mesmo lhe trará felicidade, doçura, sabor à vida. Também é possível analisar que quando coloca-se a palavra “lado”dá a idéia de que existe dois modos de vida o feliz que veiculado ao uso da marca ou produto coca-cola e o lado de quem não utiliza tal produto seria a pessoa infeliz.Ambos os anúncios compõem-se de formas concisas, porém atrativas que desenvolvem idéias, proporcionando uma intenção entre os interlocutores por meio de um vocabulário sugestivo e adequado ao público - alvo.

Assim a publicidade (outdoors, jornais, revistas, folhetos, propagandas de TV etc) está em todos os lugares e em todos os momentos, buscando que o individuo que convive com tal meio seja persuadido, influenciado profundamente, modificando o modo de ser dos mesmos e a maneira de compreenderem a vida, o mundo e a própria existência, sobretudo no que se refere aos seus critérios de escolha e de comportamento funcionando assim como um veiculo de ideologias na qual “a ideologia dominante e a da classe dominante” Bakhtin(2003,p40). Tomando como base tal pressuposto é relevante que o anúncio publicitário também esta atrelado ao subjetivismo humano, mexendo com princípios ideológicos, possibilitando diversas interpretações.Constitui-se como um gênero complexo dotado de intencionalidade e poder modelador de mentes .Tal gênero está intimamente atrelados as mudanças sociais, psicológicas e culturas do individuo para que o mesmo possa ser influenciado pelas ideias imposta

.

CONSIDERAÇÕES FINAIS



O conceito de gênero é muito complexo e vai alem de princípios estabelecidos pelos próprios usuários dos mesmos e de suas relações na sociedade, eles tem em si funções gerais e específicas que como o gênero publicitário pode servir e seguir a diferentes esferas de comunicação sejam elas verbais e/ou não-verbais.

O gênero publicitário tem como função primordial exercer uma forte influência para a sociedade em geral, pois é encontrado a todos os momentos e em todos os lugares,fazendo-se ser visto e passando a modificar as atitudes comportamentais do individuo que acha-se inserido no meio.

Assim, a linguagem publicitária constitui-se com clareza de idéias e com assuntos de conhecimento do publico na qual ele esta sendo dirigidos construindo-se a partir das bases ideológicas do receptor: seus conhecimentos e de seu grupo, as suas expectativas psicológicas, suas atitudes mentais, sociais e, sobretudo seus valores, muitas vezes modificando-os.













Referências bibliográficas

BAKHTIN, Mikhail. Os gêneros do Discurso. In: Estética da comunicação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 1992.

BAKHTIN, Mikhail. Estética da Criação Verbal. 4° Ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

CARVALHO, Nelly. Publicidade: a linguagem da sedução. São Paulo: Ática, 1996.

MACHADO, Irene. Gêneros Discursivos. In: Brait, B.(Org.) Bakhtin - conceitos Chave. São Paulo: Contexto, 2005.

MARCUSCHI, Luiz. A. Gêneros Textuais: definição e funcionalidade. Rio de janeiro: Lucena, 2002.

MARCUSCHI, Luiz Antônio. Produção Textual, Análise de Gêneros e Compreensão. São Paulo: Parábola. 2008.







ANÁLISE, CLASSIFICAÇÃO E DIFERENCIAÇÃO DO GÊNERO PROVÉRBIO EM RELAÇÃO ÀS FRASES DE PÁRA-CHOQUE DE CAMINHÃO.






UNIVERSIDADE ESTADUAL VALE DO ACARAÚ – UVA







Centro de Letras e Artes – CLA






Curso de Letras






Produção de texto






Professora: Maria Soares






ARTIGO CIENTÍFICO



¹ ANÁLISE, CLASSIFICAÇÃO E DIFERENCIAÇÃO DO GÊNERO PROVÉRBIO EM RELAÇÃO ÀS FRASES DE PÁRA-CHOQUE DE CAMINHÃO.

XIMENES, Marcia Pereira

COSTA, Deusilene Rodrigues da


RESUMO

Este artigo tem como objetivo apresentar os gêneros, enfatizando o gênero provérbio, observando seu conceito, progresso, alguns tipos de provérbios como bíblico, chinês e popular e o diferenciando das frases de pára-choque de caminhão. Utilizando como referência os estudiosos Marcuschi, Albuquerque, Xatara e Succi, Chia, Amaral e Miguel dentre outros. Na metodologia utilizada, deu-se preferência a de caráter descritivo, pois assim pôde-se obter um estudo mais detalhado sobre o tema aqui estudado. Este estudo é relevante porque muitas pessoas ainda confundem os gêneros provérbio e frases de pára-choque de caminhão, por serem composto de frases curtas e de fácil entendimento. O resultado obtido através desse estudo demonstrou que os dois gêneros são muitos parecidos, mas é possível diferenciá-los a partir da função comunicativa a que se destinam, pois os provérbios se destacam cada vez mais porque são transmitidos de maneira oral e escrita e fazem parte da cultura de muitos povos, já as frases de pára-choque de caminhão são de caráter individual e não possuem tanta repercussão, pois são restritas a um meio especifico dos caminhões e nem sempre são repassados à todas as pessoas como acontece com os provérbios.


Palavras-chave: Provérbios. Gênero. Evolução. Frase.

INTRODUÇÃO

O gênero provérbio tem sido muito confundido por causa do seu valor simbólico. Por isso, esse gênero vem, muitas vezes, sendo comparado a variantes

___________________________________________

1 Artigo elaborado com o intuito de adquirir a nota para AP2, da disciplina Produção de Texto.

2 Aluna do 4º período do curso de Letras, habilitação em Língua Portuguesa, da Universidade Estadual Vale do Acaraú − UVA.

3 Aluna do 4º período do curso de Letras, habilitação em Língua Portuguesa, da Universidade Estadual Vale do Acaraú − UVA.

significações do gênero pára-choque de caminhão.

Porém, além de apresentarem um conselho a cerca de uma experiência vivenciada anteriormente por outras pessoas, os provérbios dão conselhos e possuem uma estrutura simples, o que facilita ao leitor identificar com clareza esse gênero.

Constata-se esta análise nos estudos de Marcuschi (2008) que aponta as características dos gêneros orais e escritos, demonstrando que os gêneros nascem com características sociais. Albuquerque (1989) que destaca a origem dos provérbios fazendo uma retrospectiva às sociedades arcaicas. Xatara e Succi (s/d) que enfatiza que os provérbios são de origem religiosa, ou seja, criados por Deus. Amaral e Miguel (s/d) que destacam o posicionamento de Salomão como pro criador dos provérbios devido à sabedoria que lhe foi dada por Deus. Chia (2002) que relaciona a cultura chinesa baseada nos provérbios chineses, demonstrando a importância deles para essa sociedade. Dentre outros autores que serviram de embasamento teórico para este artigo cientifico.

Os provérbios são analisados neste estudo como um gênero, que ao buscar aconselhar através de experiências anônimas, passam a pertencerem aos indivíduos que os pronunciam. Emaranha-se num contexto histórico e evolutivo do gênero, analisando-se sua função, estilo e diferenciação entre famílias de texto do mesmo gênero, como também de gêneros diferentes.


CONCEITO E BREVE HISTÓRICO SOBRE GÊNERO

Nos dias atuais vêem os gêneros de uma forma nova. Então, a grande dificuldade para tratar desse tema é justamente pelas inúmeras e diversas fontes e perspectivas de análise.

Os gêneros textuais, na maioria das vezes, não são tão fáceis de definir e classificar. Alguns estudiosos partem do domínio discursivo, outros explanam suas análises aproximando-se do conceito de texto e de suas modificações. O domínio discursivo refere-se ao caráter da linguagem, esfera discursiva. As tipologias costumam agrupar os gêneros, de acordo com a abordagem escolhida pelo teórico.

O conceito de gênero não é tão recente, desde muito tempo os retóricos e estudiosos de literatura antiga ou clássica já demonstravam diferentes formas das que são hoje as concepções de gênero.

De acordo com Marcuschi (2008, p.147): “O estudo dos gêneros textuais não é novo, e, no ocidente já tem pelo menos vinte e cinco séculos, se consideramos que sua observação sistemática iniciou-se em Platão”.

Por muito tempo, os gêneros foram estudados visando apenas os gêneros literários. No passado o discurso oral ou escrito também era analisado apenas numa concepção retórica. Nesta análise, eram considerados somente os elementos da comunicação indispensáveis para o gênero realizar-se, os quais eram “ter o que dizer”, “ter alguém interessado na mensagem” e “alguém que fale”, assim, a mensagem encontrará sua realização.

Para uma análise dos gêneros orais, pode-se perceber que os estudos nesta área não são tratados com muita freqüência. Um gênero classificado oral seria, conforme Marcuschi (2008, p.187): “uma noção cotidiana usada pelos falantes que se apóiam em características gerais e situações rotineiras para identificá-lo”.

Neste sentido, percebe-se que os gêneros orais, constroem-se a partir de uma consciência popular coletiva, a qual, em situações habituais se dirige sobre o que produz e o que vai produzir em dada situação comunicativa. Esses gêneros surgem a partir das relações comunicativas entre os falantes que delas participam.

Os gêneros são percebidos a partir do convívio na sociedade. Como afirma Marcuschi (2008, p.190): “(...) os gêneros são padrões comunicativos socialmente utilizados, que funcionam como uma espécie de modelo comunicativo global que representa um conhecimento social localizado em situações concretas”.

Desta forma, partindo-se de situações palpáveis, adquire-se um conhecimento representado por circunstâncias que ocorrem em todos os meios, é assim que os gêneros adquirem sua funcionalidade.

Os textos situam-se em determinados domínios discursivos, que de acordo com Marcuschi (2008, p.194):

(...) produzem modelos de ação comunicativa que se estabilizam e se transmitem de geração para geração com propósitos e efeitos definidos e claros. Além disso, acarretam formas de ação, reflexão e avaliação social que determinam formatos textuais que em última instância desembocam na estabilização de gêneros textuais. E eles também organizam as relações de poder.

Assim, podem-se observar, nesse contexto, os provérbios, os quais, são interpessoais, transmitem uma espécie de moral ao longo dos tempos, refletindo sobre o homem e organizando uma experiência coletiva pertencente a todos os que deles se utilizam.

No dias atuais, o conceito de gêneros não é somente vinculado a literatura, mas, como analisa Swales apud Marcuschi (2008, p.187): “hoje, gênero é facilmente usado para referir uma categoria distintiva de discurso de qualquer tipo, falado ou escrito, com ou sem aspirações literárias”

Assim, pode-se utilizar do conceito de gênero para referir-se a inúmeras áreas de estudo que tratam de textos, tanto escritos como orais.

Aristóteles faz referências aos gêneros de discurso retórico, o qual, o deliberativo parece assemelhar-se ao intuito dos provérbios, como se pode observar em: “(...) o discurso deliberativo servia para aconselhar/desaconselhar, e voltava-se para o futuro por ser exortativo por na natureza.” (MARCUSCHI, 2008, p.188), isto é do ponto de vista funcional.

Dessa forma percebe-se uma ligação entre o discurso deliberativo e os provérbios, pois aquele se volta para aconselhar, como também acontece com este, que demonstra o que é certo ou errado, trazendo uma espécie de visão de mundo através de aconselhamentos.

Contudo, os gêneros estão cada vez mais presentes no cotidiano de todos e conforme Marcuschi (2008, p.189), o gênero é: “Uma categoria cultural, um esquema cognitivo, uma forma de ação social, uma estrutura textual, uma forma de organização social, uma ação retórica.”

Pode-se perceber que os gêneros são culturais, sociais, trabalham com a cognição, dentre outras. Enfim, os gêneros são de extrema utilidade numa sociedade, pois o estudo deles pode-se ter inúmeras visões sobre os textos, tanto escritos como orais.


CONCEITO E ORIGEM DO GÊNERO PROVÉRBIO


Até os dias atuais, os estudiosos ainda não conseguiram conceituar com precisão o gênero provérbio, pois se a semelham muito com frases constituídas por teor moral. No entanto o site Sua Pesquisa conceitua provérbio como:

(...) ditos populares (frases e expressões) que transmitem conhecimentos comuns sobre a vida. Muitos deles foram criados na antiguidade, porém estão relacionados a aspectos universais da vida, por isso são utilizados até os dias atuais. É muito comum ouvirmos provérbios em situações do cotidiano.

O fato de os provérbios serem criados por pessoas, muitas vezes, anônimas traz em seu estilo estruturas fáceis de decorar, tornando-se simples, curto e direto. Os mesmos tratam de inúmeros assuntos da sociedade e da vida cotidiana, trazendo sabedoria, geralmente transmitida em forma de conselho, por isso se tornou de uso popular, abrangendo todas as camadas populares.

Etimologicamente, a palavra provérbio originou-se da palavra latina proverbim. A essência dos provérbios tem origem muito distante, e só não pôde ser comprovada devido à inexistência da escrita, pois até então só ultilizavam-se da oralidade como forma de transmissão. No entanto, há uma nova hipótese que aponta que as primeiras fontes acerca dos provérbios surgiram em tempos distantes na civilização egípcia, acerca de três mil anos antes de Cristo, conforme Albuquerque (1989, p.35):


(...) os ‘sebayts’ (ensinamentos), equivalentes aos provérbios atuais, são citados desde o terceiro milênio a.C. Entre os hebreus e os aramaicos, o provérbio representava a palavra de um sábio. No século VI a.C., aparecem as Palavras de Ahiqar e, no século IV a.C., os Provérbios de Salomão. Entre os gregos, ‘gnômê’ (pensamento) e ‘paroemia’ (instrução) cobrem as noções de provérbio, sentença, máxima, adágio, preceito etc., aparecendo em obras de Platão, Aristóteles e Ésquilo (...)

Observa-se exemplos de provérbios entre os sumérios, na china, na civilização romana, na Grécia como também no ocidente e no oriente, eternizando-se a partir da Idade Média e atingindo seu domínio até os dias atuais.

Pode-se analisar ainda que a origem dos provérbios possa ter sido de cunho religioso, como diz Xatara e Succi (s/d, p.03):

Provavelmente a origem da palavra provérbio seja até religiosa e não seria de se estranhar, ao se decompor "provérbio", como alguns autores acreditam, que ele tenha derivado de pro (em vez de, no lugar de) + verbo (palavra de Deus), ou seja, no lugar da palavra de Deus, já que nele sempre se encerra um conselho, uma admoestação.

Analisa-se assim, que os provérbios advêm de inúmeras fontes culturais, dentre as quais se podem citar as de cunho religioso, como os provérbios da Bíblia, mas todos sempre trazem um conselho incontestavelmente verdadeiro em sua essência.


TIPOS DE PROVÉRBIOS E SUAS DISTINÇÕES

O teor dos provérbios é extenso, envolve desde argumentos intelectuais, até assuntos objetivos que abrangem o procedimento do sábio, na rotina diária. Já que todos eles estão direcionados para o cumprimento dos valores de forma correta e que facilite o convívio entre todos. De acordo com a Bíblia (2005, p.727):

Estes provérbios nos ajudam a dar valor à sabedoria e aos bons conselhos e a entender os pensamentos mais profundos. Eles nos ensinam a vivermos de maneira inteligente e a sermos corretos, justos e honestos. Podem também tornar sábia uma pessoa sem experiência e ensinar os moços a serem ajuizados. Estes provérbios aumentam a sabedoria dos sábios e orienta os instruídos, fazendo que entendam o significado escondido dos provérbios e dos ditados e compreendam os mistérios que os estudiosos procuram explicar. (Pv 1:2-6)

Assim, nota-se o valor supremo dado por Deus a Salomão através do próprio livro de Provérbios, pois ele mesmo aponta a sua potencialidade e suas incontestáveis recomendações.

Pode-se levar em consideração, a existência de uma série de conselhos que induzem a comportamentos baseados em uma experiência já vivenciada, neste caso pelo rei Salomão, citado na Bíblia e conforme Amaral e Miguel (s/d, p.5):

(...) os Provérbios de Salomão, ou simplesmente provérbios, está entre os livros que mais abordam conselhos comportamentais, o que implica em um tipo de mediação ético-cultural. Segundo a tradição bíblica, Salomão ou Sh’lomo, destacou-se entre os “filhos de Israel” como o Rei mais sábio de toda história judaica, por promessa divina, como preservado no segundo livro de crônicas: sabedoria e conhecimento te são dados; e também te darei riquezas, bens e honra como nenhum rei antes de ti teve, nem haverá depois de ti rei que tenha coisas semelhantes (2Cr 1:11).

Esses conselhos atingem a todos, com superioridade em relação a qualquer outro meio de advertência, pois seu caráter simbólico ultrapassa gerações. Um exemplo desses provérbios bíblicos está no livro de Provérbios (2005, p.736) “Aquele que quer aprender gosta que lhe digam quando está errado; só o tolo não gosta de ser corrigido” (Pv. 11:1), (ANEXO 1). Com isso podemos ver primeiramente que esse provérbio servirá para todas as faixas etárias e ao longo dos tempos, logo em seguida podemos notar que a pessoa que tem uma ampla visão sobre os conhecimentos sempre estará disposta a ouvir e conhecer ainda mais, contudo aquele que não admite o erro nunca estará disposto a aprender com o próximo, ficando sempre preso a tolices, preconceitos e aos seus próprios conceitos.

Há ainda outro tipo de provérbio, o Chinês, que se pode nomear como eruditos e populares, estes sendo de origem desconhecida e seguido da tradição oral, aqueles mais eruditos, advindos de frases de pensadores famosos ou poemas. De acordo com Wikipédia:

(...) os longos e complexos têm origem em passagens históricas ou literárias – procedem de pensadores consagrados ou de poemas famosos – e são eruditos, os chamados chéng-yü (que literalmente significa: expressões feitas). Já os provérbios mais curtos e simples, são muitas vezes de origem desconhecida (tradição oral), são esses os provérbios populares, os chamados sú-yü (que literalmente significa: expressões populares).

Nota-se que, mais uma vez, os provérbios acabam fazendo parte da maneira de expressão de uma cultura, tornando-se algo natural na vida de seus habitantes como apresenta Chia (2002, p. 01):

E no caso da cultura chinesa o uso dos provérbios na língua é quase obrigatório, ainda que seja numa conversa cotidiana ou num texto simples do dia-a-dia. Ao usá-los, o discurso se torna mais natural e espontaneamente chinês, o que faz com que seja mais agradável aos ouvidos de quem fala esta língua, já que os chineses incluem, de fato, provérbios nos seus pensamentos e raciocínios. Para os chineses, os provérbios são sentenças concisas e prontas que todos conhecem; e não há porque não usá-los já que são belos na forma e sábios na idéia.

Pode-se perceber que os chineses já pensam em formas de provérbios, os quais estão presentes em todas as suas conversas, pois tem beleza, além de trazerem sempre um pensamento sábio acerca de tudo, assim como outros tipos de provérbios. Podemos ver em Wikipédia: "Dê um peixe a um homem faminto e você o alimentará por um dia. Ensine-o a pescar, e você o estará alimentando pelo resto da vida." (ANEXO 2). Isto é, se as coisas vierem de maneira fácil, nunca aprenderemos a lutar para conseguir-mos o que necesitamos, pois ninguém pode tirar o aprendizado da cabeça de seu possuidor.

Assim como os outros provérbios, o popular tem origem na tradição oral, onde é repassado de geração a geração através dos pais que pretendem levar além dos tempos os ensinamentos que receberam de seus antepassados. Uma outra hipótese que podemos levar em consideração é que os provébios devem ter sido transmitidos oralmente devido a grande ocorrência de analfabetismo presente em nosso meio. O provérbio popular foi desenvolvido de forma simples e acessívelm à todos. Conforme fala Velasso apud Júnior, Pastor e Costa (p.01):

A cultura popular brasileira está cheia de provérbios. Eles fazem parte da longa tradição da educação popular, educação que precedia a da escola, educação familiar. Antes do advento da televisão, dos shoppings e dos computadores, as famílias se reuniam e oralmente transmitiam às novas gerações seus costumes e tradições (...).

Assim, pode-se perceber o quanto os provérbios eram utilizados e seu valor perante a sociedade, porém com os novos meios de comunicação como a televisão e a internet, dentre outros, as famílias passaram a não se reunirem mais como antigamente, perdendo um pouco desse hábito tão significativo.

Os provérbios populares são tidos como verdades sem nenhuma contestação, pois não tem autoria, já que pertencem ao domínio público como se pode perceber no artigo de Abreu Paxe (s/d, p. 03):

A expressão "popular" torna-se paradoxal pelas seguintes razões: o seu uso é de âmbito amplo e restrito. Amplo porque implica o anonimato, é pertença de todos; pois, na sua utilização envolve todo o povo, ou seja, ninguém numa sociedade pode reivindicar a autoria dos provérbios, pode sim reivindicar a autoria de tê-lo proferido e demonstrar o grau de conhecimento e de interiorização da cultura, a sua sabedoria.

Assim, todos têm domínio sobre os provérbios, na perspectiva de que todos os utilizam inúmeras vezes, com diversas finalidades, tornando-se dessa forma propagador desse tipo de sabedoria. Como podemos perceber no anexo 3: “Errar é humano”, pode-se notar que este é um provérbio de estrutura pequena e de linguagem simples, expressa de maneira compreensível, pois todos os seres humanos estão sujeito a erros, já que todos são iguais. Os provérbios populares costumam ser simples e de fácil entendimento a todos.


A DIFERENÇA ENTRE PROVÉRBIOS E FRASES DE PÁRA-CHOQUES DE CAMINHÕES

O termo provérbio é descrito como algo bíblico ou não, seguido de ensinamentos, assim diz Simon apud Júnior et al (1989, p. 26-27) em:

Tem-se como estabelecido que as lexias textuais de caráter judicioso, extraídas da Bíblia, serão chamadas provérbios e não receberão nenhuma das outras denominações. Outro ponto comum é quanto ao aspecto da gravidade do provérbio; é um aconselhamento ou um juízo que pode ser repetido pelos eruditos (...)

Assim, o provérbio tem grandioso valor simbólico não apenas de ser guardado, mas de ser repassado e compartilhado por gerações. Já as frases vistas em pára-choques de caminhões passam mensagens que, em poucas palavras, compreendem-se as lições que este mundo, implacável, nos ensina muito sobre o além do que sabemos. As mesmas são de cunho melancólico que podemos ver em: “Se você é capaz de sorrir quando tudo dá errado, é porque já sabe em quem colocar a culpa", "Hoje encontrei chorando quem no passado riu de mim", "Antes eu sonhava, hoje eu não durmo". Ou de cunho engraçado como “Eu amo a sogra da minha mulher” e ainda reflexivo como: "O futuro do homem está escrito no seu passado". Porém as frases de pára-choques não possuem tanta potencialidade como os provérbios, pois aos poucos eles estão sumindo e fazendo com que as frases aos poucos fossem sendo substituídas por imagens adesivas de paisagens, tornando-as mensagens mais sintéticas. De certa forma o pára-choque era o lugar onde os motoristas se expressavam, porém atualmente isso raramente acontece.

Assim, pode-se perceber como as frases encontradas em pára-choques de caminhões nunca alcançaram a supremacia dos provérbios, pois estes estão propagados em todos os tipos conversas, encontram-se em todas as classes e tem um valor irrefutável.

METODOLOGIA


A metodologia utilizada nesta pesquisa foi de caráter descritivo e bibliográfico, uma vez que se descreveram os dados de autores coletados e analisados em subitens para que se compreendesse melhor o desenvolvimento da pesquisa.

A pesquisa foi caracterizada em comparação e origem do gênero, evolução do gênero provérbio, no qual, incluíram-se o bíblico, chinês e popular, e por fim, diferenças entre os gêneros provérbio e frases de pára-choque de caminhão.

Em seguida, a divisão dos subitens procurou desenvolver-se a partir de pesquisas em livros e sites que falassem do assunto. Os dados coletados foram analisados, selecionados e comentados para que fossem utilizados no corpo do artigo.

Logo após, foram selecionadas as informações principais e elaborado o texto final do artigo científico.


CONSIDERAÇÕES FINAIS


A partir desta pesquisa puderam-se perceber alguns pontos fundamentais em que se baseiam os provérbios. Dentre eles estão a importância de tentar eternalizá-los através da linguagem escrita, e principalmente oral, em que são repassados de geração a geração.

Verdadeiramente incontestáveis, os provérbios desde sua origem trazem ensinamentos a todas as pessoas, tais ensinamentos são de posse geral, pois não há um autor especifico que se responsabilize por seus princípios, salvo o provérbio bíblico que teve, segundo a bíblia, inspiração divina.

Espera-se que este artigo sirva de reflexão e que possa-se entender melhor sobre este esplêndido e importante gênero que são os provérbios tanto para aqueles que o contemplam e que desejam trabalhar com o gênero provérbio, quanto para os que apreciam esse gênero.












REFERÊNCIAS

ALBUQUERQUE, Maria Helena Trench de, Um exame pragmático do uso de enunciados proverbiais nas interações verbais correntes, São Paulo: Universidade de São Paulo, 1989. Dissertação de Mestrado da Área de Filologia Românica.

AMARAL, Emerson Santos; MINGUEL Igor da Silva. Provérbios de Salomão: Conceitos educacionais e mediacionais.

BÍBLIA SAGRADA: Nova Tradução na Linguagem de Hoje. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2001

CHIA, Ho Yeh. Provérbios Chineses e Valores Confucianos. Disponível em: <> Acesso em 22/10/2010

INAGAKI, Alexandre. Pensar enlouquece, pense nisso. Disponivel em: <>

JÚNIOR, Álvaro Bragança; PASTOR, Jordi Pardo; COSTA, Ricardo da. O Livro dos Mil Provérbios. São Paulo: Editora Escala, 2007.

MARCUSCHI, Luiz Antônio. Produção Textual, Análise de gêneros e compreensão. 3 ed. São Paulo: Parábola, 2009.

PAXE, Abreu. Imagens, Contexto e Comunicação: O Provérbio no Testo de Panela e na Esteira. Disponível em: Acesso em 22/10/2010.

Provérbios: O que são, lista dos mais populares, formato, cultura popular, sabedoria popular. Disponivel em: Musicacultura/prorbios.htm>Acesso em 20/10/2010

VELLASCO, Ana Maria de Moraes Sarmento.



Coletânea de provérbios e outras expressões populares. Disponível em: <>

VELLASCO/BRASILEIRO.html: > Acesso em 20/10/2010.

XATARA, Claúdia Maria; SUCCI, Thais Marini. O campo dos estudos proverbiais na lingüística.

WIKIPEDIA. Disponivel: em<>

Ses>Acesso em: 22/10/2010